terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Bailarina



Em um sonho ela viu você
Em um suspiro ela acreditou em você
Em um desejo ela amou você

Você era sonho, suspiro, desejo
Nunca se fez real,
Sempre teceu-se vento
E se quer brisa ofereceu

E no abismo a atirou
A dor dela foi seu orgulho
Feroz, frio, hostil
Algumas lágrimas esperou

Mas o silêncio se fez presente
Ela se fez brinquedo
Pequenos saltos, suaves rodopios
E com a tristeza dançou

No escuro havia um violino
Algumas notas não faladas
Várias lágrimas dançarinas
Na sutileza, pequenos sorrisos
E a dor...
Que nunca se fez amor

domingo, 6 de dezembro de 2015

Vermelho Puta



Que esmalte lindo!
É vermelho, vermelho puta
O vermelho aberto, sem vergonha de ser

E aquele outro?
É o esmalte vermelho fechado,
Esse tem medo, não sabe se pode algo

Mas... O vermelho puta não tem medo?
Ele tem sim, muito mais que o fechado
Um medo cruel, medo de não ser ele mesmo

E quem colocou esses nomes neles?
Os outros, acham que ele não tem nome próprio
Eles nunca se importaram como o vermelho se vê 

Esse aberto, ele realmente pode isso?
Depende, todos falam que ele pode
Mas depois o criticam, pensam "ele não pode"

Mas ele nunca se impôs?
Sempre, por isso ele é aberto, grita pelos outros
Ele acredita que ele pode ser puta, beata ou bigode e barba

Se eu o usar vão me julgar?
Vão sim. Eles sempre julgam
Julgam o vermelho aberto por ser aberto 
Julgam o vermelho fechado por ser fechado

Já escolheu o seu esmalte?

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Um violino


Era uma vez... Um violino
Sombrio, 
Com suas curvas insinuantes
Suas cordas estéreis
Suas notas perfeitas

Era uma vez um violino
Que a todos se apresentava
Fazíamos dançar, chorar, amar, 
E de sua melodia éramos fantoches

O maestro era pequeno
O violinista, mero enfeite
A platéia, dúzias insignificantes
Mas o violino... Ah! Era perfeito

Sua perfeição era um erro
Os deuses não o permitiam
Os mortais de fato não o sentiam
O violino era intocado, sozinho

Para quê um violino tão belo?
Se a natureza está abaixo 
Se o amor não o toca
Se a vida não o comporta.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A estrada



Você pisa em pedras,
Cai, se machuca um pouquinho,
Reza, foi um castigo,
Volta a andar.

Você anda sobre fogo,
Queima, dói muito
Reza, acredita
E volta a aquentar

Você nada em gelo
Também queima,dói,
Continua rezando, acreditando
E a nadar

Você vê o seu mundo desmoronar
Senta, chora, desiste
Acredita, não vai aquentar

Reza por rezar
Acredita por acreditar
Chora por não amar

Depois de chorar todas as lágrimas 
Querer que o seu mundo acabe de uma vez
Ver que tudo deu errado
Você olha novamente
O seu mundo não acabou
O sol continua ali

Então se limpa, reza e agradece
Junta suas forças, a estrada mudou,
Mas você ainda tem que seguir.


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Último Minuto


Maria acordou no último minuto
Abriu os olhos e ainda deitada chorou
Finalmente, colocou tudo para fora 
O peso do mundo já não era mais dela.

Ela não precisou olhar para os lados,
Não mais se preocupar com alguém,
Ela não foi mãe, mulher, filha ou amiga,
Foi apenas Maria.

Sentiu o gosto salgado das lágrimas,
A leveza do vestido branco,
Os últimos calos nos pés doloridos,
A dor no coração...

E no último segundo sorriu
Com um brilho nos olhos
Maria morreu sozinha, 
Mas ela pode ser só Maria. 

domingo, 23 de outubro de 2011

RECOMEÇO

Minha história se define à um momento: Você.
Minha mente, minha vida, tudo!
Tudo o que eu faço é pra você,
Mesmo assim você não está aqui.

Você nunca esteve aqui,
Eu fui o melhor para você,
Mas estava errado,
Agora serei seu pior.

Pense em nós no passado,
Pois o futuro serei apenas eu,
Não será nada ruim
Se o que eu fizer for para mim.

O futuro será agora
E farei o meu melhor
Apenas para mim,
É hora de recomeçar.

UM FILME

Como deixar você ir
Quando não vivo sem você,
Como deixar você amar outro alguém
Quando não respiro sem você.

Você foi tudo para mim
Nunca fez nada de errado,
Ao contrário...
Fui eu que sempre fiz.

Isso não é como um filme,
Estou com outro alguém,
E não terá um final feliz,
Ao menos para mim.

Se fosse um filme,
Você estaria aqui,
E mesmo assim,
Não deixo você ir...

segunda-feira, 11 de julho de 2011

ELE



29 dias ele esperou
29 cartas ele mandou
A 29 mulheres ele negou
E 29 vezes, você o matou.

Seu amor, para ele era tudo.
Era terra, céu e mar,
E hoje é pó... Você se foi.

E no caixão, você levou:
O coração, a esperança e a alma
Aqui ficou apenas um homem,
Ossos, um pedaço de pele e dois olhos.

Juntos, apenas esperando
O dia que ele irá te reencontrar.

domingo, 29 de maio de 2011

TESTAMENTO


O meu corpo e minha alma entrego à Deus,
Mas o meu coração... Entrego ao Diabo.
Ao Diabo vão todos os meus amores platônicos,
Juvenis, quase imbecis,
Que vivi sempre sem querer.
À Deus vão todas as vezes que não me dei,
Disse não sem saber por quê.

A lista de amantes que nunca tive,
As noites de inveja ao ver Iara se banhar,
Doenças inventadas por pura preguiça.
Tudo é mais humano,
Mais poético e até mais mulher,
Do que um marido no sofá
Ou uma louça suja para lavar.

O Diabo me deixou ser feliz sempre que errei,
Já Deus, ao meu lado nas ressacas do dia seguinte.
Dos dois tenho um pouco
E às vezes nenhum.

Mas não importa o caminho traçado,
O meu coração vai sempre:
Se entregar, errar,
E até enganar,
Toda vez que o amor, de novo, me chamar.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A PRINCESA E O URUBU (2° VERSÃO)


OBS: MUDEI O FINAL ESTE ERA UMA VEZ A PEDIDO DE UMA DOCE AMIGA MINHA.


Era uma vez... Uma princesa.

Uma princesa Serafina
Que passava a tarde inteira,
Todas as tardes
No seu lago a flutuar.
Imaginava ser um pássaro,
Sempre, sempre a voar.

Um dia, certo urubu
Ali passando, pensou:
Eu posso, vou ensinar,
Aquela menina vai voar.

E a ela mostrou tudo
Toda a arte, todo o segredo.
Em um, dois, três dias,
Nas nuvens ela já estava,
Brincando de pula-pula
Dando pirueta no ar.

No entanto, o urubu cobrou.
Ele tinha um preço.
Queria seus braços,
Suas pernas e sapatos.
Como agora ela tinha asas,
Deles não mais precisava.

O urubu muito queria
Com homens a mesa sentar.
Ele estava cansado.
Por todos, era evitado.
Agora seria sua vez
Também seria abraçado.

Serafina ficou com pena.
Tanta... Tanta pena,
Coitado, pobre urubu.
Que não pensou, deu.
Deu seus braços e pernas,
Deu também seu coração.
O urubu, todo excitado

Cego do sacrifício... Doce menina.
Foi do vento, seu abraço agarrar.
Mas o vento estava frio,
Como qualquer outro, o evitava.
O porquê, ele não entendia,
Por que tamanha frieza?
Apenas ali não o queriam.

Então ele voltou para traz
Foi a Serafina perguntar.
Tem algo comigo de errado?
Quando o urubu a viu
Assim no chão, toda estirada.
Seus braços não queria mais,
Posse então a chorar.

E assim finalmente termina
O maior abraço já dado
Por uma doce menina
E um urubu desabraçado.

domingo, 15 de maio de 2011

A PRINCESA E O URUBU



Era uma vez... Uma princesa.

Uma princesa Serafina
Que passava a tarde inteira,
Todas as tardes
No seu lago a flutuar.
Imaginava ser um pássaro,
Sempre, sempre a voar.

Um dia, certo urubu
Ali passando, pensou:
Eu posso, vou ensinar,
Aquela menina vai voar.

E a ela mostrou tudo
Toda a arte, todo o segredo.
Em um, dois, três dias,
Nas nuvens ela já estava,
Brincando de pula-pula
Dando pirueta no ar.

No entanto, o urubu cobrou.
Ele tinha um preço.
Queria seus braços,
Suas pernas e sapatos.
Como agora ela tinha asas,
Deles não mais precisava.

O urubu muito queria
Com homens a mesa sentar.
Ele estava cansado.
Por todos, era evitado.
Agora seria sua vez
Também seria abraçado.

Serafina ficou com pena.
Tanta... Tanta pena,
Coitado, pobre urubu.
Que não pensou, deu.
Deu seus braços e pernas,
Deu também seu coração.
O urubu, todo excitado

Cego do sacrifício... Doce menina.
Foi do vento, seu abraço agarrar.
Mas o vento estava frio,
Como qualquer outro, o evitava.
O porquê, ele não entendia,
Por que tamanha frieza?
Apenas ali não o queriam.

Então ele voltou para traz
Foi a Serafina perguntar.
Tem algo comigo de errado?
Quando o urubu a viu
Assim no chão, toda estirada.
Seus braços não queria mais,
Posse então a chorar.

O urubu obcecado
Por um velho desejo,
Não mediu amigos,
Não mediu conseqüências
Apenas queria...
Queria braços e pernas.

Mas para isso
Perdeu Serafina,
Um amor de menina,
Uma pura amiga...
Agora sem vida.
E foi nesse estado,
Na condição sem condição,
Que ele a deu um abraço,
O seu primeiro abraço.

Para ela, Serafina.
Aquela que o abraçou com vida,
Sua vida pelos abraços do menino.
O maior abraço já dado
Por uma doce menina
E um urubu desabraçado.

sábado, 30 de abril de 2011

PECADO



Padre, eu pequei.
E pelo meu pecado
Não espero perdão, penitência
Ou qualquer Pai Nosso.


Estive com a mulher da minha vida.
Passei a noite a observá-la
Cada detalhe ou curva... Decorei.
Paixão... A minha mais louca,
Ontem vivi e me queimei.
Por ela, simplesmente amei.

E quando ela se foi
Eu não disse: eu te amo,
Não a despi nem gritei seu nome
Apenas a abracei
E a deixei ir.

Existe pecado maior?
Agora ela está com outro...

domingo, 10 de abril de 2011

O SAPO E O REI


Era uma vez um sapo...
Um sapo sem cabeça,
Em um trono, sentado.
O leito perfeito
Para um ÚNICO homem
E suas memórias de sapo.


Havia também um quadro,
O retrato de um tal rei vivo
Estava bem perto do trono.
Dependuro... Assim, um sapo degolado.


Uma menina ali sentada,
Toda a cena completava
Agarrada ao vestido
Como o sangue manchado.


Todos na corte estavam acuados
Em um canto do canto,
Bem longe, assustados.


Ninguém rezava ou algo dizia,
Apenas murmuravam.
Foi ela... Foi ela...
Aquela... Com a foice...
Decapitou do sapo, todo o reinado.


Mas por que? Alguém perguntava.
Assim tão doce, tão pequena,
Com lágrimas de uma menina,
Sem as mãos de uma assassina,
Ainda soluçando se explicava:


“Foi o rei... Culpa ele...
Ele me prometeu ser um príncipe
E apenas por isso, o beijei
Mas ele mentiu... Era um sapo.


Papai e mamãe sempre disseram...
Para mentiras e trapaças, ou qualquer ilusão,
Só o fim pela raiz, se refaz um coração.”


E foi assim... Ela se refez e saiu
Com uma cabeça na mão.
Deixando para trás uma profunda lição:


Nunca faça de palavras decepção,
Pois elas tal qual atos,
A ti, um dia retornaram.

domingo, 27 de março de 2011

O PÁSSARO E A FLOR



Era uma vez... Um pássaro amarelo
E ele era muito exigente,
Enquanto os outros pássaros iam de flor em flor
Apenas aproveitando o néctar de cada uma
Esse não queria qualquer flor para si.
O pássaro amarelo buscava uma flor sem cortes ou ranhuras
Desejava uma flor perfeita, a mais doce e mais bela.
Aquela que seria digna de seu coração.

O gafanhoto, velho sábio,
Viu aquilo e receoso disse:
Meu querido e amarelo pássaro
Não sabes que a perfeição não existe?
Todos têm defeitos e qualidades.
O que existe é aquela flor que mesmo com todos os defeitos
Irá te encantar e te completar.

O pássaro não deu muita atenção ao gafanhoto,
Achou que ele estava ficando muito velho,
E foi outra flor buscar.

Certo dia ouviu um pássaro verde dizer
Que ouviu de um pássaro azul
E este ouviu de outro pássaro já sem cor
Que existia uma flor no alto de uma montanha.
Especial, única, perfeita
E ninguém nunca tinha conseguido viver
Para de o teu néctar provar.
Logo o pássaro amarelo se animou


E para o alto da tal montanha
Sua jornada começou.
Eram nevasca, fome e medo.
Dentre outros desafios enfrentou.

E quando não havia mais esperanças
O pássaro obstinado pensou
Morri e nunca provei de uma flor.


E neste momento, em algo suave e frágil
Sua asa surrada se apoiou.
Que surpresa! Era uma flor.
A única coisa viva e quente que ali existira.
Deve ser ela a tão imaginada flor.

Mas esta não era nada perfeita.
Possuía inúmeras ranhuras.
Sua cor era simples e apagada.
E mesmo assim, lá estava ela.
Viva e disposta, feliz a sempre enfrentar a montanha.

O pássaro sem escolha
Do seu néctar provou.
Este era quente e aconchegante.
O carinho e dedicação no preparo
Foi sentido pelo agora sofrido cantador.

Não importava a cor ou cortes.
Aquela flor com seu suave néctar
Tocou fundo seu coração.
E foi então que o gafanhoto foi entendido.

A partir daquele dia,
O pássaro amarelo com sua flor branca
Do alto da montanha nunca saíram.
Tal qual você e eu, rosas e jardins.
Eles eram perfeitos um para o outro.

domingo, 12 de dezembro de 2010

ESPELHOS


Quadro pintado por Frida Kahlo, admiro sua arte e sua história.


Do que vale falar se não tiver alguém para ouvir.
Brincar se não tiver alguém para sorrir.
Amar se não tiver ninguém para sentir.

Queria ter alguém para dividir.
Mesmo que fosse só um dedo.
Um pedaço do quase nada.
Perto do vazio em que vivo.

Sou o que sou...
Um quadro grande demais para guardar,
Feio demais para pendurar,
Exposto demais para esquecê-lo.

Sozinha.
Perto de mim mesma.
Esta sou só mais um eu,
Diante do espelho.

VOU-ME EMBORA PARA PASSÁRGADA.




Vou-me embora para Passárgada.
Não por ser mais bela ou rica,
Não pelo rei ou rainhas,
Mas por quer lá você não mora.

Aqui vejo os nossos passeios no final da tarde
Ouço nossas confidências em cada rua
O brilho do teu sorriso em cada esquina
Lembro de você a cada segundo.

Não comemorei nosso fim
Mas também não chorei
Não desejo te reencontrar
Porem não esqueço essas malditas lembranças

E é por isso que...
Vou-me embora para Passárgada.

15.09.09

sábado, 4 de dezembro de 2010

BORBOLETA NEGRA




Uma borboleta pousou no meu dedo.
Sentiu o gosto do meu medo
E voou. Voou para onde não sei.

Suas asas eram negras.
Delicadas, pareciam se desmanchar no ar.
E mesmo assim ela voou.
Para onde não sei.

Seu calor era sutil,
Tímida me conquistou.
Fez-me querer também voar.
Mas ela não me esperou e voou.
Onde, eu não sei.

Seu brilho era fugaz.
Sua vontade, concreto.
E com ela, meu amor também voou.

domingo, 7 de novembro de 2010

DAMA BRANCA


Te amo mesmo que não saiba,
Mesmo que não diga,
Mesmo que não me lembre...
Que meu coração pare.

Minha alma ainda te espera, reclama, chama.
Sentada, vendo a tarde passar.
Nervosa, uma noiva no altar.
Dama branca num botequim.

E você não vem.
Não vem por que não sabe,
Não veio por que não quis,
Não virá por que não sente.

E ainda assim eu penso:
Te amo.