segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A estrada



Você pisa em pedras,
Cai, se machuca um pouquinho,
Reza, foi um castigo,
Volta a andar.

Você anda sobre fogo,
Queima, dói muito
Reza, acredita
E volta a aquentar

Você nada em gelo
Também queima,dói,
Continua rezando, acreditando
E a nadar

Você vê o seu mundo desmoronar
Senta, chora, desiste
Acredita, não vai aquentar

Reza por rezar
Acredita por acreditar
Chora por não amar

Depois de chorar todas as lágrimas 
Querer que o seu mundo acabe de uma vez
Ver que tudo deu errado
Você olha novamente
O seu mundo não acabou
O sol continua ali

Então se limpa, reza e agradece
Junta suas forças, a estrada mudou,
Mas você ainda tem que seguir.


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Último Minuto


Maria acordou no último minuto
Abriu os olhos e ainda deitada chorou
Finalmente, colocou tudo para fora 
O peso do mundo já não era mais dela.

Ela não precisou olhar para os lados,
Não mais se preocupar com alguém,
Ela não foi mãe, mulher, filha ou amiga,
Foi apenas Maria.

Sentiu o gosto salgado das lágrimas,
A leveza do vestido branco,
Os últimos calos nos pés doloridos,
A dor no coração...

E no último segundo sorriu
Com um brilho nos olhos
Maria morreu sozinha, 
Mas ela pode ser só Maria. 

domingo, 23 de outubro de 2011

RECOMEÇO

Minha história se define à um momento: Você.
Minha mente, minha vida, tudo!
Tudo o que eu faço é pra você,
Mesmo assim você não está aqui.

Você nunca esteve aqui,
Eu fui o melhor para você,
Mas estava errado,
Agora serei seu pior.

Pense em nós no passado,
Pois o futuro serei apenas eu,
Não será nada ruim
Se o que eu fizer for para mim.

O futuro será agora
E farei o meu melhor
Apenas para mim,
É hora de recomeçar.

UM FILME

Como deixar você ir
Quando não vivo sem você,
Como deixar você amar outro alguém
Quando não respiro sem você.

Você foi tudo para mim
Nunca fez nada de errado,
Ao contrário...
Fui eu que sempre fiz.

Isso não é como um filme,
Estou com outro alguém,
E não terá um final feliz,
Ao menos para mim.

Se fosse um filme,
Você estaria aqui,
E mesmo assim,
Não deixo você ir...

segunda-feira, 11 de julho de 2011

ELE



29 dias ele esperou
29 cartas ele mandou
A 29 mulheres ele negou
E 29 vezes, você o matou.

Seu amor, para ele era tudo.
Era terra, céu e mar,
E hoje é pó... Você se foi.

E no caixão, você levou:
O coração, a esperança e a alma
Aqui ficou apenas um homem,
Ossos, um pedaço de pele e dois olhos.

Juntos, apenas esperando
O dia que ele irá te reencontrar.

domingo, 29 de maio de 2011

TESTAMENTO


O meu corpo e minha alma entrego à Deus,
Mas o meu coração... Entrego ao Diabo.
Ao Diabo vão todos os meus amores platônicos,
Juvenis, quase imbecis,
Que vivi sempre sem querer.
À Deus vão todas as vezes que não me dei,
Disse não sem saber por quê.

A lista de amantes que nunca tive,
As noites de inveja ao ver Iara se banhar,
Doenças inventadas por pura preguiça.
Tudo é mais humano,
Mais poético e até mais mulher,
Do que um marido no sofá
Ou uma louça suja para lavar.

O Diabo me deixou ser feliz sempre que errei,
Já Deus, ao meu lado nas ressacas do dia seguinte.
Dos dois tenho um pouco
E às vezes nenhum.

Mas não importa o caminho traçado,
O meu coração vai sempre:
Se entregar, errar,
E até enganar,
Toda vez que o amor, de novo, me chamar.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A PRINCESA E O URUBU (2° VERSÃO)


OBS: MUDEI O FINAL ESTE ERA UMA VEZ A PEDIDO DE UMA DOCE AMIGA MINHA.


Era uma vez... Uma princesa.

Uma princesa Serafina
Que passava a tarde inteira,
Todas as tardes
No seu lago a flutuar.
Imaginava ser um pássaro,
Sempre, sempre a voar.

Um dia, certo urubu
Ali passando, pensou:
Eu posso, vou ensinar,
Aquela menina vai voar.

E a ela mostrou tudo
Toda a arte, todo o segredo.
Em um, dois, três dias,
Nas nuvens ela já estava,
Brincando de pula-pula
Dando pirueta no ar.

No entanto, o urubu cobrou.
Ele tinha um preço.
Queria seus braços,
Suas pernas e sapatos.
Como agora ela tinha asas,
Deles não mais precisava.

O urubu muito queria
Com homens a mesa sentar.
Ele estava cansado.
Por todos, era evitado.
Agora seria sua vez
Também seria abraçado.

Serafina ficou com pena.
Tanta... Tanta pena,
Coitado, pobre urubu.
Que não pensou, deu.
Deu seus braços e pernas,
Deu também seu coração.
O urubu, todo excitado

Cego do sacrifício... Doce menina.
Foi do vento, seu abraço agarrar.
Mas o vento estava frio,
Como qualquer outro, o evitava.
O porquê, ele não entendia,
Por que tamanha frieza?
Apenas ali não o queriam.

Então ele voltou para traz
Foi a Serafina perguntar.
Tem algo comigo de errado?
Quando o urubu a viu
Assim no chão, toda estirada.
Seus braços não queria mais,
Posse então a chorar.

E assim finalmente termina
O maior abraço já dado
Por uma doce menina
E um urubu desabraçado.