sábado, 11 de setembro de 2010

ROSAS MULHERES



Rosas não são rosas,
Não são brancas nem verdes,
Elas são tudo e não são nada.

São o que são, como as mulheres.
Hora brilham mais que estrelas,
Hora se escondem atrás da porta.

Indecisas, carentes, valentes.
Podem até quando não podem
E quando amam... Bobas, encantam.

Mulheres, rosas, rosas mulheres.
Não importa o nome ou jeito,
Todas ficam na memória,
Marcam a alma.

A JANELA



A janela mostra tudo o que está do outro lado,
Tudo o que vemos, mas não vivemos,
Um horizonte limitado por um quadrado.
Mostra um você sem eu.

Lá não estou, aqui você não está.
No meio existe uma janela,
E a porta se encontrar.

Enquanto não encontra,
Estou na janela a olhar.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O POSTE


Era uma vez... Um poste.
Mas não um poste qualquer, esse era especial.
Muito mais alto e resistente que qualquer outro
E sua luz era sempre a que tinha o maior alcance,
Mas esse poste era o mais triste também.

Ele estava sempre triste porque se sentia muito sozinho,
Nenhum outro poste queria se aproximar dele.
O poste acreditava que era por medo.

Certo dia uma mosca madrinha ouviu seus lamentos e resolveu Ajudá-lo.
Vou transformá-lo naquilo que seu coração desejar,
Mas antes saiba você terá direito a apenas um desejo e nada mais
Ele agradeceu e desejou ser o mais frágil e modesto poste que já se viu.

Logo que sentiu a mudança estranhou que os acontecimentos
Ao contrário do que imaginava,
Os outros riam dele agora indefeso.
Com ele, ainda não queriam fazer amizade.

Ele não soube o que fazer
Quando percebeu o real sentimento que afastava outros postes:
Não era medo, era apenas inveja,
E tudo o que fez foi chorar.

Ele tanto chorou que a mosca madrinha voltou.
Voltou e disse: não deveria, mas vou dar mais uma chance,
Mas espero que tenha aprendido uma lição:
Nunca mude por ninguém!
Eles devem aprender a gostar de você como é,
Se não for assim, não gostam de você.

E assim o poste voltou a ser o que era antes
Desta vez, feliz e satisfeito consigo mesmo.

NÁUFRAGO


E sozinho eu fiquei naquela noite fria de luar.
Até hoje espero você me encontrar.
Sou o náufrago sem barco, sem ilha, sem mar,
Apenas a te esperar...

SEMPRE A TUA ESPERA


Madalena estava sentada
Na sala tua espera
Ela esperava, esperava
Enquanto seu vestido esvoaçava

A casa estava calma.
Aberta, mas vazia.
Vá embora, o vento dizia
Já a lua cochichava:ele volta.

Os ratos, sapos e lagartos,
Todos limpavam a casa.
Já as rãs, cobras e aranhas,
Os lençóis estendiam na sala.

Lá fora, o tempo passeava
Os dias vivos iam,
As noites frias vinham.
Mas Madalena... Sempre dentro da casa

Esperava que você pela porta entrasse
E com todo o amor diria:
Peque seu coração de volta
As Asas d’água e os olhos de prata,
Pois anjos livres voam mais.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

VIRA MUNDO


Com os pés e mãos crucificados,
sinto o mundo nas costas.
Parar ou olhar para os lados,
tudo parece uma impossível tarefa.
Tudo o que faço é continuar,
Continuo pela estrada a andar.
Continuo remando com a maré.
Continuo a andar, falar ou respirar.
Continuo tudo,
Menos tendo você.

MORTE DE MARIA


 
Maria não sabia chorar.
As lagrimas sumiram.
Elas que diminuem a dor,
Que lavam a alma.

Maria queria então gritar
Mas a garganta não expulsava a raiva.
Muito menos ajuda pedia.

Maria também não corria.
O medo não deixava,
As pernas só tremiam.

Maria se quer morreria
Se seu coração ainda amasse.
Maria...

Do seu peito foi arrancado o amor,
Dos braços e pernas as forças,
Do rosto o sorriso,
Dos olhos a vida.

Mas a alma ainda estava lá,
Tão pálida e dura quanto Maria
Apenas esperando...
A Tão esperada morte de Maria.